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Mãe Cida - Uma história de Amor Incondicional

Conhecer Mãe Cida foi uma das experiências mais tocantes em minha caminhada como médium. Divido com vocês, amigos leitores, esta história tão sublime, para que todos se abram cada vez mais ao amor incondicional, a única verdadeira cura para a humanidade.

Naquela sexta-feira estávamos em trabalho no Grupo Fraterno Amor e Luz. Como sempre fazemos, após a abertura dos trabalhos e a preparação do ambiente, colocamo-nos à disposição dos mentores da casa para realizar os trabalhos necessários trazidos por eles (às sextas-feiras não trabalhamos com público; a espiritualidade programa o que deve ser feito e colaboramos da melhor forma que podemos). O espírito Tião, um dos responsáveis pelas tarefas do nosso grupo, solicitou nossa participação em um resgate de grandes proporções numa região do astral inferior.

Não nos é permitido relatar detalhes do trabalho, até por respeito àqueles seres que finalmente se colocaram em condições de receber o auxílio divino. Apenas para o leitor entender, nosso mentor Tião comanda um grande grupo de trabalhadores que funciona como um exército disciplinado. A área é cercada por eles e isolada energeticamente, para que os médiuns em desdobramento possam ir até lá sem correr nenhum tipo de risco. Os médiuns são utilizados porque as entidades estão em um padrão vibratório denso e não conseguem perceber os espíritos socorristas. Por estar ainda preso ao corpo, o perispírito do médium é facilmente visto pelos espíritos necessitados, facilitando o resgate. O médium age sob a orientação das equipes espirituais.

Durante operações dessa natureza, uma grande quantidade de espíritos é levada para os hospitais e educandários astrais para tratamento de recuperação e reeducação, conforme a necessidade de cada um.

Muitos (às vezes milhares) estão inconscientes e são levados diretamente para as colônias de tratamento. Alguns, porém, estando despertos, apresentam quadros aflitivos de desespero, desalento, revolta, remorso, desequilíbrio mental. Necessitam, antes de serem recolhidos, receber um choque energético no plano físico para que se acalmem, entendam e aceitem a oportunidade oferecida. São trazidos ao trabalho espiritual, onde os médiuns mantêm uma corrente de orações e vibrações de amor, pedindo ao Pai pelos irmãos necessitados.

Foi então que, naquele dia, estando projetada fora de meu corpo físico, percebi um movimento intenso no quintal da casa, próximo da entrada da sala onde os médiuns se encontravam reunidos. Vários soldados faziam a contenção de um enorme contingente de seres desesperados que gritavam, choravam, tentavam fugir, numa cena dantesca de pânico, sem entender onde estavam. Utilizando uns aparelhos semelhantes a lanternas, os soldados projetavam jatos de luz e aos poucos iam conseguindo acalmar aquela turba e colocá-los em fila.

Olhei para onde a fila se dirigia e vi uma negra simpática, baixinha, gorda, cabeça branca e um sorriso muito meigo. Estava sentada numa cadeira e, um a um, aqueles seres eram levados até ela. Irradiando uma aura imensa, pura luz, ela os abraçava como a mãe que abraça um filho muito amado. A transformação era instantânea. Os gritos cessavam, as expressões de dor desapareciam, uma paz surgia nos semblantes sofridos e, em seguida, eles eram conduzidos para os locais de tratamento. Tudo se processava em poucos segundos. Aquela figura maternal envolvia um a um em sua irradiação de amor e a cura simplesmente acontecia. Era muito lindo!

Quando os trabalhos terminaram, Mãe Cida (assim ela se apresentou a nós) contou-nos sua história. Foi escrava e, como era muito saudável, deu à luz vários filhos que eram vendidos por seu senhor. Cada vez que uma de suas crianças era arrancada de seus braços, ela pensava que iria enlouquecer. Quando a dor maior passava, ela olhava à sua volta e via o sofrimento de seus irmãos: outras mães sem seus filhos, muitos feridos, submetidos a castigos violentos. Então ela esquecia sua dor e corria em auxílio dos que choravam. Ajudava a curar ferimentos e abraçava com todo amor aqueles que choravam em desalento. Abraçava com o amor que teria dado a seus filhinhos. Abraçava e orava a Deus para que seus meninos, onde quer que estivessem, também pudessem receber a bênção do amor. O tempo foi passando, a idade chegando e Mãe Cida era venerada na senzala. Todos diziam que seu abraço curava, que qualquer dor desaparecia nos braços de Mãe Cida.

Certa vez, a Sinhá ficou doente e mandou chamá-la. Ela foi e, ao ver o sofrimento da enferma, abraçou-a. O alívio foi imediato. Mãe Cida foi dispensada dos trabalhos pesados e terminou seus dias na terra abraçando e curando. Aprendera o Amor Incondicional. Pagara o mal com o bem. Transmutara sua dor em pura Luz.

Hoje, Mãe Cida trabalha incessantemente no socorro dos irmãos infelizes. Vai toda contente, onde quer que haja necessidade do Amor Transformador. Ao partir, pediu-nos que nunca segurássemos o amor no peito. Abracem e amem muito, disse ela, mesmo quando estiverem sofrendo. A dor fica menor se vocês deixam o amor sair de seu coração. Amor é a bênção e a cura universal.

Deus lhe pague, Mãe Cida!

Maria Lúcia Sene Araújo