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Só sei que nada sei! (Frase de Sócrates, filósofo grego)

A evolução da humanidade se dá basicamente pela transmissão de conhecimentos adquiridos através das gerações. Filósofos, cientistas, grandes pensadores, líderes religiosos, artistas, enfim, em todas as épocas temos notícias de seres iluminados, inteligências acima da média, personalidades notáveis que provocam verdadeiras reviravoltas no saber estabelecido, promovendo avanços no conhecimento humano. Falo de homens como Einstein, Sócrates, Pitágoras, Mozart, Shakespeare, Gandhi, entre muitos outros.

O saber oficial é divulgado em livros, introduzido nos currículos escolares, explorado em filmes, conferências, catalogado e disponibilizado a todos os que se interessam, hoje até pela internet.

No entanto, há um outro saber, sólido, poderoso, caminhando paralelamente, instalado nos usos e costumes, e até no inconsciente coletivo. Não há nada escrito nem documentado. Tudo se transmite ao pé do ouvido, na tradição oral, ou mesmo no silêncio das atitudes e das crenças. “Verdades” científicas podem cair no descrédito da noite para o dia, diante de novas descobertas, mas o saber popular leva muito mais tempo para aceitar transformações. Isso porque está sedimentado nos hábitos, nas resistências a mudanças ou ainda porque é o que resta, manifestada externamente, da sabedoria interior com a qual o homem perdeu o contato ao se tornar “civilizado”.

Estou falando da sabedoria do homem simples, integrado à natureza, que olha para um céu de um azul insuspeito e diz: Aí vem um toró... E vem!!! Ninguém sabe como, mas ele “leu” na atmosfera uma previsão de tempo totalmente oculta aos olhos “analfabetos” do homem civilizado. É a sabedoria dos curandeiros, das benzedeiras, das simpatias, dos ditados populares.

Criança criada no interior, tive a infância povoada de frases feitas. Quando o orgulho acadêmico subiu-me à cabeça, muitas vezes ridicularizei os ditados. Tinha verdadeira “alergia” a eles. Mas o tempo passa e a vivência nos mostra que o saber humano não cabe em livros. É muito mais amplo e abrangente. Em momentos de reflexão profunda, surpreendi-me repetindo alguns ditados, com grande respeito e reverência. É de alguns deles que quero falar hoje.

Todos conhecem: “Em casa de ferreiro, o espeto é de pau”; “Santo de casa não faz milagres”; “A galinha do vizinho é sempre mais gorda”. Só para começar...

Essas frases encerram uma dolorosa verdade: sempre nos colocamos em último lugar, não acreditamos em nós, vivemos nos comparando e nos diminuindo, fazendo tudo pelo outro mesmo que isso signifique abrir mão de sonhos, “engolir sapos”, ficar frustrado. E depois, sentindo o imenso vazio do auto-abandono, tornamo-nos amargos, fazemos chantagens emocionais, cobrando do outro que nos preencha, desejando que ele tenha o mesmo grau de “dedicação” que tivemos, e assim por diante. É a valorização da opinião alheia, é o terrível “o que vão dizer...?”, é a crença de que cuidar de si mesmo é egoísmo. Vivemos uma vida definida pelo ditado: “Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. Confundimos amor com troca de favores, apego, posse. Por não enxergarmos nossa essência, desejamos que o outro preencha nosso vazio. Escravizamo-nos às regras e normas, priorizando a “normalidade” em detrimento da “naturalidade”. Perdemos a espontaneidade, assumimos a hipocrisia do “bonzinho”.

Essa inversão de valores reflete-se também em nossa sociedade: acreditamos que o importado é melhor, que o estrangeiro é mais sábio e engolimos a massificação dos “marketings”, da “mídia”, dos “shoppings” (já nem dizemos “das propagandas”, dos “meios de comunicação”, dos “centros de compras”...).

A grande diferença em nossas vidas só nós mesmos podemos fazer. Reconhecer o próprio valor não é vaidade. Acreditar em nosso potencial não é arrogância. Batalhar por nossos sonhos e projetos não é egoísmo. Chega de baixa auto-estima! Chega de crenças limitantes! Chega de autopiedade! Chega de endeusar o outro e negar nossa beleza interior. Chega de falsa modéstia!

Para começar, podemos observar o que dizemos e abolir frases como “Quem sou eu!”, “Quem me dera”, “Isso é impossível”, “Não vou conseguir”, “Estou velho para aprender”, “Trabalho não enriquece ninguém”, e outras tantas que agora não me ocorrem, mas que com certeza o leitor irá identificar em seu dia a dia.

Uma grande transformação social sempre começa dentro de cada cidadão. Não podemos ficar na megalomania fantasiosa do “se”: “se eu fosse presidente”, “se eu ganhasse na mega sena”, “se eu pudesse reformar o mundo”. Provavelmente, com as crenças que temos, não faríamos as grandes coisas que pensamos com a sabedoria necessária. Vamos mudar nosso próprio mundo, acreditando em nosso potencial, investindo em nossa criatividade, aceitando definitivamente a divindade em nós. Minha mãe dizia: “valor pra gente, é a gente que dá”. E minha avó, uma sábia senhora analfabeta, como a maioria das mulheres do século XIX, arrematava: “Quem não se enfeita, por si se enjeita”



Maria Lúcia Sene Araújo

 

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